Quarta-feira, Maio 24, 2006

Bissexual Latino

Escorre-me por entre os cantos da boca,
espumando, consistente e espessa baba,
em hilariantes, tarados e confusos desejos,
envoltos em nuvem de aromático sabor cubano
ou na miragem do deserto, a abundância de um oceano.
Dificulto-me ao movimento teatral do olhar
com o das espampanantes e fogosas fêmeas
de contornos provocantes,
em misto de honrada e serviçal postura,
com a de esfomeadas e aluadas hienas.
Seios de dimensões elegantes,
decotes rasgados, insinuantes,
coxas proporcionais em altura...
Gacejo-lhes vulgar brejeirice latina,
com gestos de intenções bem articulados,
sons de rouxinol assobiados,
voz colocada em baixos tons,
em estilo rufia, moderno chapelão,
ajeitado de lado, apontando o chão.
Frases feitas, estudados galateios,
simuladas expressões de engate,
reflectindo na semelhança
ao espelho, ortodoxas gerações.
Excita-me a imaginação;
o feder a noite de tempestuosa fornicação,
visionando o prolongado coito,
apreciando o macho que a cobriu e mugiu,
em pose de possante e ruminante mamífero.
Outro que não eu.
Deleito-me ao apetecível sabor
das imagens hard core,
do prazer envolto de bravura,
com o de sequiosa ternura e amor...
Sinto raiva, inveja desse todo.
Paira o aroma dos restos, os sinais,
as lembranças nas suaves e arranhadas peles.
Antevejo-me na tradicional posição,
em pleno esforço de roubar-lhes a mente,
o afecto, o lado decente...
Em derradeira estocada,
arquitectar elaborada armação,
fazendo-me sentir o outro cabrão,
tendo no orgasmo o prazer maior,
de fazê-lo sentir de mim, o melhor.

O que eu quero não é ela.
Sou eu.
Ou o outro.
Sou bissexual machão!

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